Matheus Arcaro

Crueldades lógicas

1- Deus

Inúmeras são as vezes que utilizamos a expressão “se Deus quiser” para algo que desejamos muito ou “Deus quis assim” referindo-nos a um acontecimento passado, recaindo numa espécie de conformismo.
Mas, logicamente, incorremos num erro de raciocínio ao invocar o nome divino.
Quem quer alguma coisa quer por uma necessidade. Quem necessita, é carente de algo. Um ser carente, necessariamente é finito. Então, das duas uma: ou esse Deus para o qual clamamos é mortal como nós ou ele sequer ouve aos nossos apelos.

Onipotente é aquele ser que tudo pode. Deus, segundo consta, é onipotente. Então, se fosse imputada a Deus a tarefa de criar uma pedra que Ele fosse incapaz de levantar, o que Ele faria?

2- Amor

Kant, filósofo alemão do século XVIII, renuncia a possibilidade de um conhecimento absoluto. Seríamos incapazes de conhecer as coisas em si, a essência dos objetos e das pessoas.
O máximo que conseguiríamos seria captar através dos sentidos o objeto que nos é apresentado. Portanto, vemos não o objeto em si, mas a representação que nós criamos desse objeto. Seguindo essa linha de raciocínio, quando declaramos amor a outra pessoa, nada mais estamos fazendo do que amando uma imagem que nós criamos daquela pessoa; amando a nós mesmos. No limite, o amor ao outro seria puro egoísmo.

3- Filhos

Tudo o que adentra a linha temporal está fadado ao fim. Assim, no exato instante que você concebe seu filho, você o condena à morte.