Matheus Arcaro

Política como instrumento de mudança

O que a palavra política traz consigo quando pronunciada hoje em dia? Corrupção? Meio para atingir fins próprios? Desesperança? Indiferença? Pois é. De tão deturbada, a política é mal vista pela maioria das pessoas. Mas o que muitos não sabem é que a política nem sempre foi assim.

O termo ‘política’ é de origem grega, mais especificamente derivado da palavra pólis, a cidade-estado grega, que surge por volta do século VI a.C rompendo com a tradição aristocrata vigente até então. Cidade esta não como conjunto de edifícios, ruas e praças, mas como espaço cívico; uma comunidade organizada, formada pelos cidadãos (politikós) pertencentes ao sistema de normas racionais.

O surgimento da pólis é um elemento profundamente original na história das civilizações e fundamental para a origem da própria filosofia. Com a pólis, estabelece-se a distinção entre esfera pública e privada. A existência humana passa a ser concebida numa dimensão partilhada (eu existo como homem público, em prol do bem comum).

As decisões passam a ser tomadas em processos abertos, em debates na ágora. A palavra passa a ser fundamental e cria-se um profundo vínculo entre logos (razão) e política.

Os gregos antigos tratam a política como um valor e não como um simples fato, considerando a existência política como finalidade superior da vida humana.

Aristóteles, que viveu nesse contexto, define o homem como um animal político. “Fora da pólis, o homem ou é uma besta ou um deus.” A importância da reflexão política é tamanha na filosofia aristotélica que ele critica textualmente o direito à cidadania aos que trabalham (notadamente em trabalhos manuais). Segundo ele, quem precisa trabalhar para sobreviver está fadado a uma existência mecânica, incapaz, portanto, de refletir acerca de um tema tão relevante.

Para Platão, a cidade ideal é governada por filósofos que têm como interesse o bem geral da pólis e estes não seriam remunerados por isso. Antagonicamente, a cidade injusta, é aquela na qual o governo está nas mãos dos proprietários que lutam por interesses econômicos particulares. (Alguma relação com política contemporânea?).

Ao longo da história, inúmeros autores e fatos contribuíram para a formação do pensamento político. No século XIV, por exemplo, surge Maquiavel, que em sua célebre obra, O príncipe, desmistifica a teologia política de sua época e inaugura o pensamento político moderno. No século XVIII a Revolução Francesa confronta as forças do regime Absolutista e estabelece a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão como síntese das aspirações racionais contra as formas tradicionais de autoridade e referência para Constituições de vários países. Mais tarde, Karl Marx critica a economia política e apresenta o socialismo (que inclusive seria implantado equivocadamente na Rússia a partir de 1917).

Conhecendo ao menos superficialmente esse panorama histórico-filosófico, podemos aguçar nosso pensamento crítico e, imbuídos de um sentimento de cidadania (no sentido grego da palavra), tentar algo em prol da nossa política futura.